26/01/2025

A sociedade está preparada para acolher um autista?

O autismo é um universo de possibilidades. Cada pessoa no espectro manifesta suas características de forma única, com necessidades, habilidades e desafios que variam amplamente. Algumas pessoas autistas podem ter uma comunicação verbal rica, enquanto outras se expressam de maneiras não convencionais. Algumas têm sensibilidades sensoriais intensas, enquanto outras encontram conforto em padrões e rotinas. E, mesmo assim, a sociedade insiste em tratá-los como um bloco único, como se houvesse um "manual" para lidar com o autismo.

Essa falta de compreensão começa cedo, muitas vezes nas barreiras para acessar terapias. Quando as terapias finalmente são disponibilizadas, é comum que sejam limitadas em quantidade ou em qualidade, deixando as pessoas com autismo sem o suporte contínuo que tanto precisam.

E aqui está um ponto que me faz refletir: o esforço é quase todo deles. Crianças e adultos autistas passam por horas de terapia tentando "se adequar" a uma sociedade que, frequentemente, é hostil às suas diferenças. Os objetivos das terapias, em sua maioria, é aproximar os comportamentos das pessoas autistas a um padrão de "normalidade". Mas o que é, afinal, essa normalidade? Quem a definiu? E por que nos baseamos em um conceito tão carregado de preconceitos?

Espera-se que as pessoas autistas ajustem seus comportamentos, escondam suas peculiaridades e se moldem a um padrão de uma sociedade que nem sempre as acolhe. É como se o peso da adaptação fosse colocado unicamente sobre elas, enquanto a sociedade continua imutável, sem fazer esforço para ser mais acessível e inclusiva.

E isso não se limita ao autismo. Essa dinâmica se repete com qualquer condição de deficiência ou análoga à deficiência. As barreiras não estão apenas nas ruas sem rampas, nas escolas sem suporte ou nos ambientes de trabalho excludentes. Elas estão no olhar de estranhamento, nas palavras que julgam, na falta de empatia para entender que, se é difícil se adaptar ao mundo, mais difícil ainda é quando esse mundo não tenta se adaptar minimamente às necessidades daqueles que são diferentes.

Não estou dizendo que as terapias ou os esforços individuais não sejam importantes. Eles são, e muito. Mas precisamos urgentemente equilibrar essa balança. Não é justo exigir que as pessoas com autismo façam todo o trabalho de adequação de seu comportamento, enquanto a sociedade permanece em sua zona de "normalidade".

Uma sociedade que realmente acolhe é aquela que reconhece que todos têm algo a contribuir e que as diferenças não precisam ser apagadas para que isso aconteça. É aquela que vê a diversidade como uma riqueza e não como um obstáculo a ser superado.

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